terça-feira, 7 de junho de 2011

Compartilhe exemplos de cada um dos elementos (amor, humildade, fé nos homens, esperança e um pensar crítico).

1 - Compartilhe exemplos de cada um dos elementos (amor, humildade, fé nos homens, esperança e um pensar crítico). Escreva situações reais ou algo que tenha chamado atenção sobre os elementos de dialogicidade de Paulo Freire.
Há tempos, já havia percebido, mesmo em sala de aula, que não é possível ensinar se não amarmos, no sentido mais amplo, as pessoas, o ambiente de aprendizado, a comunidade que o cerca e os envolvidos de forma direta na atividade de educar. Nesse sentido, gostaria de expor uma situação real, mas sem citar nomes. Quero correr o risco, mas estou com a consciência tranqüila! O fato é o seguinte:
Na minha atual e primeira experiência como tutor percebia a cada encontro as dificuldades que os alunos estavam enfrentando com relação aos conteúdos de Física. Sei, em conversa com colegas, que esta situação não é novidade. Diante disto, durante os três encontros presenciais “mastiguei e digeri” com os alunos, exaustivamente, as noções básicas primordiais ao entendimento dos conceitos essenciais da disciplina. Em todas as apresentações descrevia amiúde as equações envolvidas, de onde elas vinham e o que representavam do ponto de vista físico, sempre as relacionando aos eventos a elas associados. Nos exemplos detalhava cada passo, como quem parte do princípio que tudo para eles é repleto de novidade. Cheguei a ficar feliz, quando ouvi, seria bom se o “outro” fizesse tal coisa! Pura vaidade, nas relações humanas falta exatamente isto, a ética e o respeito ao trabalho do outro, mas também sabemos que é condição humana alegrasse com um elogio! Empolgava-me tanto que nem me preocupava com o tempo, pois sabia que ali, naquele momento estava compensando as dificuldades que os alunos enfrentam com relação à chegada a escola, o acesso a internet, a falta de livros adequados ao acompanhamento da disciplina, etc. Com relação ao livro, doei meu livro de Física do Resnick volume II. Portanto descrevo esta situação como um ato de amor ao próximo, mesmo sabendo que é obrigação profissional, pois muitos não amam o que fazem! Colocar-se no lugar do outro, contextualizando sua condição, é um ato de amor que torna-se reconhecido na atuação em sala de aula. No entanto sabemos, que a maior parte da nossa carga horária é virtual. Nesse sentido, é também amar o ato de interagir com o educando com o objetivo de torná-lo independente. Pensando assim, trabalhei os fóruns, lógico, dentro do que havia aprendido na minha formação na UAB/UFC e com colegas, com o intuito de sempre instigar o educando a pensar. A minha discussão era sempre a balisa que orientava a rota na busca da compreensão dos conceitos. Nunca me denominei o detentor ditatorial do conhecimento, mas mostrava-lhes por meio das minhas postagens que os meus comentários estavam solidamente alicerçados nos conteúdos, mas não os reproduzia diretamente da literatura, os fazia sempre com um olhar crítico, mas com amor e fascínio! Acredito eu que a postura acima apresentada possa enquadra-se como humilde no aspecto do colocar-se a disposição dos alunos, reconhecer as suas dificuldades, mas também dando-lhes o direito de assumirem a construção dos seus conhecimentos. Assim, educar, como pregava Paulo Freire, é acreditar que as pessoas, independente de classe social, raça, etc., possam desenvolver-se cognitivamente e economicamente, desde que sejam propiciadas condições para que elas se reconheçam como sujeitos na construção do seu conhecimento, ou seja, é preciso acreditar que cada um, a sua maneira, tenha capacidade de apreender o conhecimento, para “processá-lo” cognitivamente e reproduzi-lo ao seu bel prazer! Portanto a crença nas pessoas não pode ser desvinculada do ambiente de aprendizagem, pelo contrário, deve ser cultivada. E apesar de todas as dificuldades, o educador é aquele, de acordo com a idéia freiriana, que espera, como quem planta uma semente e não vê a hora do broto da terra surgir.
Acredito que toda a experiência que passei foi realmente intensa e verdadeira! No entanto, infelizmente, apesar de tudo o que acredito ter feito fui surpreendido quando um dos educandos, como quem espalha papel ao vento, afirmou que eu o prejudiquei. Não vou me estender, mas quero apenas levantar a discussão sobre as etapas de aprendizagem pelas quais meus alunos não passaram no ensino médio, de acordo com eles. Afirmaram que só chegaram a vê o conteúdo de Física até a parte de cinemática, isto não impossibilita, mas dificulta o entendimento de conteúdos como propagação de ondas e termodinâmica, por exemplo! Percebo que, e gostaria que os colegas deixassem um comentário, alguns alunos não adquiriram maturidade suficiente para serem construtores do seu conhecimento, ou não estão adaptados ainda a sistemática “autodidata” de estudo, ou estão usando de forma equivocada as salas de fórum e bate-papo (subutilizada). Eles precisão enxergar que o professor é um parceiro que deve ser solicitado nestes ambientes. Enfim, a educação tem duas vias, deve haver alimentação e retro-alimentação para que se efetive a compreensão dos conceitos para a apropriação do aluno e correta aplicação. Todavia, como defendia Paulo Freire, ela sempre estará carregada de contexto histórico e cultural.
Apesar de tudo que já aconteceu não me vejo em outra atividade: Serei um eterno professor, pois amo o que faço, tá no meu sangue! Assim procuro a cada dia dá o melhor de mim para que aqueles com as quais trabalho possam evoluir juntos comigo!

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