terça-feira, 7 de junho de 2011

Elementos de Dialogicidade de Paulo Freire

Elementos de dialogicidade de Paulo Freire:

Transcrevo a seguir a definição de diálogo que Paulo Freire propõe em "Educação como Prática da Liberdade":

"E que é o diálogo? É uma relação horizontal de A com B. Nasce de uma matriz crítica e gera criticidade (Jaspers). Nutre-se do amor, da humildade, da esperança, da fé, da confiança. Por isso, só com o diálogo se ligam assim, com amor, com esperança, com fé um no outro, se fazem críticos na busca de algo. Instala-se, então, uma relação de simpatia entre ambos. Só aí há comunicação. O diálogo é, portanto, o indispensável caminho (Jaspers), não somente nas questões vitais para a nossa ordenação política, mas em todos os sentidos do nosso ser. Somente pela virtual da crença, contudo, tem o diálogo estímulo e significação: pela crença no homem e nas suas possibilidades, pela crença de que somente chego a ser eles mesmos” (2007, p.115-116).

Partindo dos elementos de dialogicidade de Paulo Freire, irei compartilhar alguns exemplos extraídos da vivência enquanto tutor:

Amor: o amor transparece na relação tutor-aluno/ aluno-tutor quando ocorre a confiança no ensino, na aprendizagem, nas instituições. O aluno tem a confiança de que irá aprender algo mais, respaldado pelo suporte do tutor, tanto presencialmente como à distância, e assim, fortalece-se este “amor”, pois todo relação amorosa tem na sua base a confiança mútua. O tutor, por sua vez, deve amar o seu ofício de ensinar. Nenhum trabalho ocorre de forma satisfatória se não houver um sentido de amor ao que se faz.

Humildade: ambos, tutor e alunos, devem nutrir um sentimento de humildade, primeiramente, diante do conhecimento. Em segundo lugar, humildade nas relações humanas.

Fé nos homens: acreditar na humanidade é, acima de tudo, acreditar na vida. Como diz a letra de Gonzaguinha:

Ontem um menino que brincava me falou

Hoje é a semente do amanhã

Para não ter medo que este tempo vai passar
Não se desespere, nem pare de sonhar

Nunca se entregue, nasça sempre com as manhãs
Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar
Fé na vida, fé no homem, fé no que virá
Nós podemos tudo, nós podemos mais
Vamos lá fazer o que será

Na nossa realidade de EaD, é preciso fé no trabalho que é desenvolvido. Se tutor e alunos não acreditam, qualquer tentativa de avanço será em vão. Vamos (tutores) lá (no Polo) fazer o que será (o futuro pessoal e profissional dos nossos alunos).

Esperança: a prática aponta que a esperança nunca deve perecer. O trabalho na EaD deve persistir com a esperança de que até o aluno com maiores dificuldades (com fraca base conceitual, sem internet em casa, longe da sede do município, etc., etc.) pode progredir e obter resultados palpáveis, construídos com muito esforço e dedicação. E assim vamos caminhando, mantendo viva esta esperança na educação em nosso país.

Pensar Crítico: implantada uma base de Ensino à Distância nos municípios distantes, é preciso nalgum momento futuro pensar sobre a qualidade dos profissionais que serão formados. Atualização do currículo, novas estratégias de avaliação, rigor e critério, metodologias inovadoras, são discussões que se tornarão patentes a todos os atores envolvidos neste grandioso projeto de formação de professores à distância.

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